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No futebol, São Paulo, Inter e Corinthians são os campeões de receitas em 2007 Estudo diagnostica que os clubes são muito dependentes de poucas fontes para ganhar dinheiro 18.07.2008 - 18:16 Redação Contas Abertas* Estudo da Casual Auditores Independentes, empresa de auditoria especializada em clubes de futebol, analisou o balanço financeiro dos principais times brasileiros em 2007. O São Paulo foi o clube com a maior receita total, R$ 190,1 milhões. Em seguida aparece o Internacional, com R$ 155,9 milhões e em terceiro na lista dos clubes que mais arrecadaram no ano passado figura o Corinthians, com a marca de R$ 134,6 milhões. Os três também tiveram a maior receita total em 2006. Segundo a pesquisa, o Flamengo foi o clube que fechou 2007 com o pior déficit acumulado dos últimos anos, com cerca de R$ 242,4 milhões. O Atlético Mineiro é o segundo maior devedor, com R$ 214,4 milhões. O Botafogo aparece em seguida, com uma dívida acumulada de R$ 209,7 milhões. No total, os 21 clubes analisados clubes (todos com receitas totais superiores a R$ 11 milhões no ano passado) apresentam dívidas acumuladas que ultrapassam R$ 1,2 bilhão. Apenas cinco deles encerraram 2007 sem déficits acumulados: Atlético Paranaense, Juventude, Santos, São Paulo e Barueri. De acordo com Carlos Aragaki, sócio da empresa de auditoria, os déficits dos clubes se devem à adesão à Timemania, loteria que repassará parte das verbas arrecadadas aos clubes, mas que exige ajustes financeiros nas contas das entidades esportivas, há tempos defasadas. Segundo o estudo, 41% das dívidas dos clubes analisados se referem ao valor passível de parcelamento pela loteria esportiva, um montante de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. O levantamento mostra que os 21 clubes analisados geraram uma receita de R$ 1,3 bilhão em 2007, a maior marca já registrada pelo futebol brasileiro. O montante é 36% superior ao valor de 2006. Segundo o estudo, o principal motivo para esse aumento nas receitas foi o incremento dos recursos gerados pelos clubes com a venda de jogadores, com o aumento na arrecadação com os sócios e com a venda de ingressos. Já em relação ao patrimônio líquido, os 21 clubes têm um montante acumulado de R$ 605,8 milhões. São Paulo, com R$ 222,5 milhões, Atlético Paranaense, com R$ 145,2 milhões, e Palmeiras, com R$ 78,1 milhões, são os clubes com maiores patrimônios líquidos. Botafogo (menos R$ 169,8 milhões), Vitória (menos R$ 75,6 milhões) e Flamengo (menos R$ 44,8 milhões) são os três piores. Depois do faturamento com a venda de jogadores, a segunda maior fonte de recursos dos clubes são as cotas pagas pelas TVs, que equivalem a 22% do R$ 1,4 bilhão da receita total registrada em 2007. Patrocínio e publicidade e arrecadação do clube social e do esporte amador, somados, também representam 22% da receita total do ano passado. “O cenário atual não altera as dificuldades percebidas pelos clubes de futebol do Brasil nos últimos anos. A venda de atletas volta a ser a válvula de escape para resguardar as atividades dos clubes no Brasil”, afirma Carlos Aragaki. Segundo ele, mesmo com as negociações, principal fonte de recursos, os clubes aumentaram os déficits de maneira geral. “O impacto negativo de 2007 está refletido com os ajustes nos resultados por conta da adesão da a Timemania e, adicionalmente, por despesas financeiras oriundas dos empréstimos que estão necessários”, diz. Para Amir Somoggi, especialista em marketing e gestão de clubes de futebol da Casual Auditores Independentes, o estudo mostra que as entidades permanecem muito dependentes de poucas fontes de receitas para desenvolver os negócios. “A dependência extrema das transferências dos atletas para o exterior, cotas de TV e contratos de patrocínio e publicidade, que representaram 67% de todos os recursos gerados pelos clubes analisados, não são suficientes para manter um equilíbrio financeiro na gestão das entidades”, acredita. De acordo com Somoggi, o mercado brasileiro de futebol deve buscar novas alternativas de receitas por meio de projetos de marketing voltados ao relacionamento com os torcedores, ações de ativação de patrocínio com seus parceiros e geração de novas fontes de receita com a utilização de novas plataformas tecnológicas. Venda de jogadores para o exterior ultrapassa R$ 450 milhões O mercado da venda de jogadores brasileiros dos 21 clubes analisados para o exterior movimentou cerca de R$ 450 milhões no ano passado, aproximadamente US$ 240 milhões. No entanto, o estudo aponta que o valor pode chegar a US$ 300 milhões, se considerados todos os times brasileiros. Com isso, a pesquisa destaca que o valor é superior, por exemplo, “a itens tradicionais da pauta de exportação do Brasil como cacau, castanha de caju, melão, laranja, chocolate, ônibus, motocicletas, computadores (...), segundo dados publicados pelo Ministério do Desenvolvimento". De acordo com o levantamento, nenhum clube analisado conseguiria manter o equilíbrio financeiro caso não houvesse negociação de jogadores. Sem a venda de atletas, todos os times fechariam o ano com saldo financeiro negativo (exceto o Juventude, que vendeu seu centro de treinamento). Essas transações são a maior fonte de recursos dos 21 clubes e representaram 34% da receita total de 2007, que foi de R$ 1,4 bilhão. O São Paulo foi o time que mais lucrou com essas negociações no ano passado. Com a venda dos seus atletas, foram R$ 114 milhões recebidos. O segundo clube que mais lucrou com a venda de jogadores foi o Flamengo, que ocupa o quinto lugar no ranking das maiores receitas totais de 2007. O clube faturou R$ 80,3 milhões com as negociações. Se essas transações não acontecessem, por exemplo, o clube fecharia o ano com déficit de R$ 68,5 milhões. * Trecho de matéria de Leandro Kleber, do Contas Abertas - leia a íntegra aqui, com os links adicionais. |
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