![]() |
|
|
|
Receba a nossa Newsletter e faça parte da comunidade Cidade Biz. |
Antonio Machado |
Quem resiste às mudanças das telecomunicações vira poeira sem direito a epitáfio É cegueira tomar a consolidação das teles como jogada política. Que fosse e ainda seria necessária 18.02.2008 - 18:22 Antonio Machado O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disparou o processo que poderá levar à compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi com o pedido oficial do governo à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que formule a proposta de mudança do Plano Geral de Outorgas. Trata-se do instrumento da lei geral que regula o setor, definindo as regras para a telefonia e a distribuição geográfica de cada uma das operadoras fixas nascidas da privatização da Telebrás. A consolidação das operações de telefonia é um processo que chega atrasado. Nos últimos vinte anos, foi intenso nos EUA, na Europa e na Ásia, resultado primeiro da desregulamentação do setor iniciada com o desmantelamento do monopólio da antiga AT&T americana e, em outros países desenvolvidos e emergentes, da privatização completa ou parcial de suas empresas nacionais. O fenômeno coincidiu com o aparecimento e rápida popularização da internet, seguida do advento das novas tecnologias da informação - ou simplesmente TI -, a disseminação da telefonia móvel e a venda de licenças para estágios superiores de comunicação via celular já com a interação de voz, dados e vídeo. Tais transformações se dão a um ritmo alucinante em todo mundo, quebrando paradigmas sociais e culturais, além de questionar os antigos modelos de negócios. Basta uma nova tecnologia de ruptura - e elas são constantes, o que já por si é uma quebra do processo acumulativo de inovação a que o mundo se habituara -, para que as regras antes válidas para um contexto não se apliquem mais para o outro. Pegue-se o caso da própria internet: ela funciona em escala global cada vez com maior autonomia em relação a controles. É a moderna anarquia. O governo chinês, sem imprensa livre, tenta cerceá-la como quem enxuga gelo. Num ambiente em movimento contínuo como as placas tectônicas não há modelos estratificados. Quem tentar resistir vira poeira sem o direito até a um epitáfio em sua morte sem glória. Como cogitar um modelo para eventos em transformação contínua, como o que se passa com a chamada convergência de mídia? A sucessão de ondas de choque vindas das novas tecnologias, cada qual tornando obsoleto o que se sabia e queimando bilhões de dólares de capital investido, forçou a reconcentração dos negócios de telecomunicações mundo afora. Mas não como retrocesso, e sim como mutação, até porque sem que fossem destruídas as velhas estruturas não se teria viabilizada a revolução em todas as áreas do conhecimento trazida pela miríade de artefatos e serviços de automação, comunicação, entretenimento e relacionamento. É essa transformação que chega ao país. A regra de ouro Nas telecomunicações e na TI, a regra de ouro dos capitais que as financiam é a que não há regra que sempre dure. Resistir ao novo é se condenar à agonia. A Microsoft de Bill Gates foi a algoz da IBM gigantesca e orgulhosa na trincheira dos softwares para PCs. A IBM até tentou enfrentá-la, mas, exaurida, desistiu de sua criação e se recolheu ao que sempre fez de melhor: os serviços para o mundo corporativo. Da janela da Microsoft, cujo principal produto Gates não por acaso batizou de Windows, ele via o futuro. Síndrome da IBM De tanto observá-lo, Gates achou que poderia também controlá-lo à luz de seus interesses e esnobou a internet. Depois, quis moldá-la a seu gosto, e lançou o serviço de acesso fechado do MSN, geração que já estava superada pelo modelo aberto da web. Por fim, correu para absorvê-la, redesenhando para caber no Windows uma inovação livre e gratuita: o blockbuster Internet Explorer como software de acesso (browser) à web. Gates se tornou o homem mais rico do mundo graças ao monopólio que criou. Hoje, sofre da síndrome da IBM. A Microsoft é atacada pelos novos bárbaros tal como ela mesma fez ao invadir a então Roma da informática. O Linux come pelas bordas o Windows, e o Google, a obra inteira de Gates. O nexo da Oi+BrT É cegueira tomar a consolidação das teles brasileiras como jogada política. Que fosse e ainda seria necessário, sob pena de o país, sempre lerdo, pesado, outra vez perder mais um salto à frente. Oi e BrT são empresas hoje rentáveis, mas sem futuro desunidas e com a teia societária complexa que exibem. Não há criação tecnológica também onde falte instrumento forte nacional que a induza, e assim é até nos EUA. Examine-se o negócio. Mas não se perca o seu nexo. Teme-se que a consolidação reduza a concorrência no setor, que na verdade nunca houve na telefonia fixa, apenas na móvel, onde é das mais aguerridas. Poderá ser pior o quadro setorial se BrT ou Oi ou ambas for capturada pelos fundos de hedge globais presentes em seu capital para tentar lucrar influenciando a venda a um operador de fora, possibilidade mais que viável sem a consolidação. Oi e BrT têm sócios controladores que perderam o interesse ou só entraram com vistas à valorização do aporte, como o Citibank e Opportunity. No fundo, o que atrai a crítica de certas áreas é menos o senso do negócio e mais a oportunidade da contestação política, que é e sempre será um dos componentes das estratégias setoriais num país em que lá atrás se fundou a maioria das atividades de ponta com o engajamento do Estado via incentivos e investimentos. As mudanças societárias na Oi e BrT não vão ampliar e sim reduzir a presença estatal no negócio. Mas essa é outra discussão atrasada. Hoje, o grande tema no mundo é a volta do investimento estatal, sobretudo nos EUA, agora embalado pelos fundos soberanos de países. |
Antonio Machado |
| Parceiros |
![]() ![]() |
| Energia Mídia © Todos os direitos reservados |
últimas |