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Antonio Machado |
Pesquisa em 47 países mostra que globalização, livre mercado e as multis têm apoio popular Percepção positiva do capitalismo varia de 50% a 80%, o que põe em causa muitas crenças de esquerda 08.10.2007 - 18:40 Antonio Machado A onda de governos de esquerda eleitos na América Latina e cenas de manifestantes antiglobalização onde quer que organismos como o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio se reúnam parecem indicar a decadência do capitalismo. O provável é que os tais protestos atraiam mais estudantes que o povo real – que se vota nas esquerdas o faz pelos benefícios que julga mais bem servidos assim, não para fazer revolução. O que sugere esta percepção é o que revela uma ampla pesquisa do Pew Global Attitudes Project, uma fundação de Washington sem fim lucrativo, apartidária, financiada por doações privadas e voltada a captar tendências e atitudes políticas, sociais e culturais nos EUA e no mundo. Já foram feitas 19 pesquisas com esta dimensão, a última este ano e recém-divulgada, envolvendo 47 países, inclusive o Brasil, e uma amostra de 45 mil pessoas pesquisadas face a face. Destas, mil brasileiros foram ouvidos de 12 de abril a 5 de maio. No capítulo de economia da pesquisa, surpreende o amplo apoio que o livre mercado e comércio internacional, pilares da globalização, desfrutam em todo mundo. A taxa de aprovação ao comércio entre os países variou do mínimo de 59% (surpreendentemente, a avaliação nos EUA) ao máximo de 95%, no Senegal. No Brasil, a aprovação foi a 72%, com máximo, na América Latina, de 88% no México e mínimo de 68% na Argentina. Ex-comunistas, como Rússia (82%), Ucrânia (91%) e Polônia (77%), também exibiram um clima extremamente favorável ao intercâmbio comercial. E empresas estrangeiras, as execradas multinacionais na retórica dos radicais de esquerda? Aparecem bem na foto, mas com variações. Outra vez demonstrando sua histórica tendência para o isolamento, em choque com a percepção mundial e mesmo com o intervencionismo militante de vários de seus governos, os americanos não as vêem com bons olhos: apenas 45% acham o impacto das multis positivo ao país. No Brasil, o índice sobe para 70%. Mesmo na Venezuela do “socialismo bolivariano” do presidente Hugo Chávez, que adotou uma orientação estatizante e dirigista, não há na sociedade uma má avaliação das multis: 74% os aprovam. O mais curioso é a aceitação das multis nos países ricos. É baixa nos EUA e também entre os europeus. Na Itália, só 38% os aprovam; França, 44%; Inglaterra, 49%. Já na China (64%) e Índia (73%) a maioria as vê como relevantes para o desenvolvimento nacional. Ponto fora da curva, mais uma vez, é a Argentina: a aprovação foi de miúdos 39%. Maioria capitalista O grande ponto da pesquisa estava na pergunta sobre livre mercado - questão normalmente definidora de orientação política. Com taxa de aprovação abaixo de 50% só se alinham sete países: Peru (47%), Argentina (43%), Bulgária (42%), Jordânia (47%), Indonésia (45%), inexplicavelmente o riquíssimo Japão (49%) e Etiópia (47%). Nos demais, a percepção positiva do capitalismo variou de 80% na Costa do Marfim a 50% no Egito, passando por 70% nos EUA, 53% na Rússia, 72% na Venezuela e 75% na China. Como se vê, lá é cada vez mais bem sucedido, sabe-se Deus como, o casamento do livre mercado com comunismo. No Brasil, a aprovação também foi alta: 65%. Quem toca o bumbo Se tais resultados forem legítimos (leia a integra e metodologia em http://pewglobal.org/reports/pdf/258.pdf), vem abaixo a crença difundida na imprensa e entre intelectuais de que a “globofobia” seria um sentimento crescente e de massa no mundo. Já se sabia que nos movimentos de protesto havia mais a militância de ONGs tocando bumbo que deserdados e operários. Tais entidades e os governos de esquerda podem até achar que os representem. Desde que repartam os frutos da riqueza sem mudanças radicais e cuidem bem deles, podem fazer como Chávez, que posa de libertador e pragmaticamente recebe apoio do grande capital do país e não deixa de exportar uma gota de petróleo, sua maior riqueza, para os EUA, seu cliente número 1. Há muito a aprender A pesquisa do Pew Global Attitudes revela outras constatações que fazem pensar. Imensa maioria em todos os países analisados apóia a implantação de medidas que restrinjam a imigração e, no entanto, a contribuição do trabalho dos imigrantes é considerada positiva. Os direitos dos homossexuais são mais bem aceitos nos países ricos e menos nos demais, chegando a dimensões de fobia no mundo islâmico. Ainda há muito a aprender nestes tempos de informação instantânea. |
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