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Antonio Machado |
Proposta da Portugal Telecom pela Oi é jogada de fundos e álibi para espanhóis e mexicanos Governo já ouviu o ruído na linha, tem outros planos para Oi e BrT e não cairá em trote telefônico 01.06.2007 - 20:33 Antonio Machado Como previsto pelos investidores do setor de telecomunicações, o presidente da Portugal Telecom, PT, Henrique Granadeiro, anunciou o interesse da empresa pela Oi, antiga Telemar, durante visita ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, que já se declarou a favor da criação de uma grande telco nacional, reunindo as participações privadas e estatais da Brasil Telecom com as da Oi. Esse é projeto prioritário para o interesse nacional - tanto mais depois que se descobriu que na passagem de controle da ex-estatal Embratel da americana MCI para a Telmex, do mexicano Carlos Slim, dona também da Claro e da Net, o governo brasileiro não impôs uma “golden share”, o instrumento para poder exercer o direito de veto em certas operações. Tratava-se de condição estratégica, já que a Embratel, além de telefonia de longa distância, opera também a antiga rede pública de satélites, inclusive de uso militar. O projeto do português Granadeiro também é prioritário. Mas para ele próprio e os fundos multinacionais de hedge que escoraram os acionistas da PT (sócia da Vivo, que partilha com os espanhóis da Telefónica) durante investida hostil pelo seu controle urdida pelo empresário Belmiro Azevedo, considerado uma versão portuguesa do banqueiro Daniel Dantas. Belmiro não levou a PT, mas a emparedou. Os executivos da PT convenceram os acionistas a negar a oferta de Belmiro, prometendo distribuir gordos dividendos nos próximos dois a três anos – algo estimado em US$ 8 bilhões. Mas a PT não tem como fazer tal ressarcimento pela recusa de sua venda. Seu resultado operacional é pequeno, o caixa é baixo e o recurso ao endividamento é um empecilho. Fazer o quê? Ou vende a Vivo, na qual mantém com a Telefónica (dona de 10% dela mesmo, a PT) o que um analista chama de “estado máximo de beligerância contida”, e volta a ser uma operadora de um pequeno país. Ou tenta uma jogada em cima da Oi, com a ajuda dos fundos e de lobistas brasileiros. Os fundos, na verdade, são os astros principais do imenso jogo de consolidação de poder na telefonia mundial. E isto porque enxergam a oportunidade de realizar altos lucros sem esforço e risco, caso levem na conversa as autoridades de regulação dos mercados em que teceram essas transações nebulosas. Os sócios operadores, isto é, os que tocam o negócio, são meros coadjuvantes. Mas nem tanto, já que, ao contrário do Brasil, os governos dos países em que estão suas matrizes monitoram os seus passos e dão cobertura na retaguarda. Central telefônica Não há um cérebro por trás dessas costuras atrevidas. O que há é uma liderança tática entre os fundos de hedge, com destaque para o Brandes Investment Partners, gigante com sede em San Diego, EUA, e ativos de US$ 120 bilhões. O Brandes é uma central telefônica. Seus ramais o levam à PT, da qual é dona de 7,99% do capital; à Telmex, na qual tem 8,25%; à Telecom Itália (7,83%); Oi/Telemar (6,73%); e BrT (16,22%). O Brandes, segundo gente do ramo, é quem assessorou a diretoria da PT contra Belmiro Azevedo e traçou o seu plano de crescimento, fusões e aquisições. No Brasil, o assessoram as corretoras Hedging-Griffo e Pólo. Há mais fundos neste negócio. Está tudo dominado Ao lado do Brandes, na telefonia, há outros fundos de hedge. Um dos maiores é o Templeton, que tem 10,5% da Oi e 7% da BrT. Outro, o Genesys, tem 6,5% da Oi e mais 8% da BrT. Capital tem 4% da Oi e outro tanto da BrT. Todos também participam do capital da PT, da Telecom Itália, da Telefónica, da Telmex. Foram eles que no inicio do ano glosaram a tentativa de compra das ações dos minoritários pelo bloco de controle da Oi. Agora, também bloqueiam operação assemelhada em curso. Querem a Oi à disposição da PT. Não deve ser por acaso, assim, que na PT também já estejam o mexicano Slim, com 3,4% do capital, além da Telefónica, com 10%. Como xepas de feira De repente, é como se Oi e BrT fossem como xepas de feira para as grandes telcos fecharem o mapa estratégico de suas operações. Como a Telefónica, que surpreendeu a Telmex e pagou € 2,3 bilhões para entrar no bloco de controle da Telecom Itália, que tem um naco da BrT. Espanhóis e mexicanos vão ter de trocar posições no Brasil. O governo Lula não está impassível. Já sentiu cheiro de queimado. Não cairá em trote telefônico e tem outros planos para Oi e BrT. A saída será aprovar a compra pela Oi de um terço dos minoritários. A operação pretendida, de até dois terços, deve ser barrada pelos fundos. Mas até um terço também dá jogo, desde que o BNDES exerça o direito de preferência de compra como acionista da Oi. O plano de defesa das posições da Oi e BrT também passa pela chamada Tmar, antiga Telerj, que continuou existindo depois da privatização. De seu capital, a Telmex tem 12%, a Hedging-Griffo, 11%, a Polo, 3%, e Credit Suisse (que se associou à Griffo), 4%. Ou se fará uma oferta publica de compra dessas ações ou elas serão resgatadas nos termos do que permite o estatuto da Tmar. Dos sócios privados e nacionais da Oi, sabe-se que a La Fonte e a GP Participações querem ficar. Idem a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que está na Oi e BrT. A Andrade Gutierrez está na Oi e prefere sair. Segundo sócios brasileiros, os portugueses teriam oferecido uma troca de posições: a parte da AG na Oi por um pedaço da PT. Com a participação privada garantida na Oi e BrT e o reforço da presença estatal em ambas, elas poderão enfrentar o duopólio da Telmex-Telefónica no Brasil. E à frente se fundirem. |
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