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Makro entra na mira das gigantes do varejo brasileiro e desperta interesse no exterior Carrefour, Pão de Açúcar, Wal-Mart e dois 'forasteiros' estão no páreo pela rede de origem holandesa 17.05.2007 - 12:29 Redação Vai ter início o que promete ser um dos mais acirrados leilões corporativos dos últimos anos no Brasil. De candidato a consolidador do setor supermercadista, o Makro acabou do outro lado do balcão. Tornou-se objeto de um intenso duelo, no qual deverão se confrontar não apenas as majors do varejo nacional como também forasteiros de altíssimo calibre. As três grandes redes do país – Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart – já estacionaram seu carrinho de compras na porta da empresa. Vão ter de entrar na fila. A inglesa Tesco e a norte-americana Costco, gigantes do varejo mundial, também são nomes certos na disputa. A expectativa é de que o valor da negociação possa chegar a US$ 1 bilhão. A venda do Makro merecia ser realizada no pregão da Bolsa de Valores, no melhor estilo dos leilões de privatização. Poucas operações tiveram tamanho poder de rearrumar as peças no tabuleiro do setor supermercadista. Ressalte-se que, a rigor, por se tratar de uma empresa atacadista, os resultados do Makro não deságuam no ranking da Abras, espécie de tábua mosaica do varejo; eles são listados pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidoras (Abad). Porém, apenas para efeito de projeção do faturamento total, independentemente do conceito das lojas, a rede holandesa poderá ser o fiel da balança na disputa entre Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart. Se levar, o Carrefour estica sua receita no Brasil para cerca de R$ 22,5 bilhões, contra os atuais R$ 18 bilhões. O Pão de Açúcar, por sua vez, salta de R$ 16,5 bilhões para R$ 21 bilhões. Mas, se der Wal-Mart na cabeça, os norte-americanos baterão nos R$ 17,5 bilhões de faturamento, ultrapassando a rede varejista de Abílio Diniz e chegando a um empate técnico com o Carrefour. Vai sair lasca. Porém, Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart correm o risco de chegar ao mercado e encontrar a gôndola vazia. Espera- se que Costco e Tesco entrem na disputa com apetite redobrado. Ambas identificam o Makro como uma das últimas oportunidades de aterrissar no mercado brasileiro pilotando um Boeing. Além do faturamento de R$ 4,5 bilhões/ano, a rede holandesa tem 51 lojas distribuídas em quase todos os estados brasileiros – as poucas lacunas são Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Tocantins. E poder de fogo não falta aos dois grupos estrangeiros. A Tesco formou o seu próprio império britânico. Com faturamento anual de US$ 80 bilhões, tem cerca de 2,7 mil lojas entre Europa e Ásia. No total, são mais de 270 mil empregados. Já a Costco tem 510 lojas – a maioria nos EUA – e vendas anuais de US$ 60 bilhões. Existem duas espécies bem distintas nos mercados atacadista e varejista no Brasil. Há os predadores, por definição no topo da cadeia alimentar, e o restante da floresta, que vai dormir sem saber se chega ao dia seguinte. O Makro saltou de um grupo para o outro no momento em que seu controlador, a holding holandesa SHV, desistiu do programa de aquisições previamente elaborado para o mercado brasileiro. A empresa chegou a disputar a compra do Atacadão, mas mancou no meio do páreo. Curiosamente, o Brasil é uma das melhores operações mundiais do grupo, que, desde a venda das lojas européias à alemã Metro, limitou-se à América do Sul e à Ásia. © Relatório Reservado |
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