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Veja o perfil da violência contra os jovens, tema de seminário na USP

Em 2004, 69% das mortes de pessoas entre 10 e 19 anos estavam relacionadas a crimes e acidentes

06.11.2006 - 18:30

Redação

Em 2004, 25.021 jovens entre 10 e 19 anos morreram em todo o país, sendo que 16.382 casos (69,6%) estavam relacionados com a violência e acidentes. As principais vítimas foram jovens entre 15 e 19 anos (76,5%) e do sexo masculino (74,2%).

Onze estados brasileiros apresentaram taxas de mortalidade por todas as causas de morte acima da média nacional de 67,2 óbitos por 100 mil habitantes.

Os piores índices foram do Rio de Janeiro (96,6 óbitos/100 mil hab), Pernambuco (95,5 óbitos/100 mil hab) e Espírito Santo (89,4 óbitos/100 mil hab).

Embora tenha ficado abaixo da média, a taxa de São Paulo foi de 65,8 óbitos/100 mil hab.

Os números serão apresentados durante o 3º Seminário Violência e Juventude, que a Faculdade de Saúde Pública da USP está realizando até quarta-feira, em SP. São resultados da análise dos dados do Sistema de Informação de Mortalidade, do Ministério da Saúde.

Causas

Análise feita pela epidemiologista Andréia de Fátima Nascimento, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, revela que depois do homicídio (34,2%), os acidentes de trânsito (16,9%) e o afogamento (6,3%) figuraram entre as dez principais causas de morte de jovens de ambos os sexos.

O suicídio (3,2%) foi a quinta causa, superando o número de casos de óbitos decorrentes de doenças ou má-formação congênitas. E também só ficou atrás das mortes por causas externas cuja intenção não pôde ser determinada (4%).

Moças

Já as mortes relacionadas às complicações de gravidez, incluindo aborto, parto e puerpério, (1,2%) ficaram em 10º lugar; o número de mortes por esse grupo de causas provavelmente está subestimado porque os dados relativos aos abortos geralmente são pouco notificados e nem sempre a qualidade das informações fornecidas permite rastrear todas as mortes decorrentes de gravidez e parto.

No entanto, quando a análise é relativa apenas aos dados do sexo feminino, constata-se que os acidentes em transportes são a primeira causa, seguida de homicídio e gravidez.

Regiões

Os homicídios ocorreram 11 vezes mais entre os rapazes que entre as moças. Na análise da taxa de homicídio, dez estados brasileiros estão acima da média nacional para o sexo masculino, que é de 39,3 óbitos/100 mil hab. São eles o Amapá, Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal.

Os estados onde as taxas de homicídio foram maiores entre os rapazes da raça negra também constam dessa lista: Rio de Janeiro (129,3 óbitos/100 mil hab), Pernambuco (113,9 óbitos/100 mil hab) e o Distrito Federal (104,5 óbitos/100 mil hab). Nesses locais, um em cada grupo de mil rapazes negros morreu assassinado.

Em nenhum estado brasileiro a taxa de homicídios entre os rapazes brancos ultrapassou 50 óbitos/100 mil hab. Só no Paraná a taxa de homicídios de rapazes brancos (46,5 óbitos/100 mil hab) foi maior que a dos negros (43,4 óbitos/100 mil hab).

O evento

O 3º Seminário Violência e Juventude acontece desde ontem no Anfiteatro daFaculdade de Saúde Pública da USP, na avenida Dr. Arnaldo, zona oeste da capital.


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