Morgan Stanley prevê barril de petróleo a até US$ 22 em 2008, e US$ 52, no cenário básico
Cenário de queda maior implica colapso da Venezuela de Chávez e afasta necessidade de reajustes no Brasil
25.09.2006 - 13:59
Antonio Machado
Não se deve só dar ênfase às repercussões ruins do provável menor crescimento da economia mundial a partir de 2007. O lado bom está na desinflação de preços que até semanas atrás ameaçava jogar o mundo na recessão, como do petróleo, que chegou a passar de US$ 90 o barril. Agora, o banco Morgan Stanley prevê o que parecia morto: petróleo em baixa.
No cenário básico, o preço médio cairá para US$ 68,3 este ano, US$ 65,6 em 2007 e US$ 52 em 2008. Uma associação de novas descobertas com declínio mais intenso da economia mundial gerou dois outros cenários.
No mais brando, o preço do barril recua a US$ 46 este ano e a US$ 43 no seguinte. No severo, US$ 42 em 2007 e US$ 22 em 2008.
Disrupções por problemas geopolíticos e climáticos podem alterar esses cenários. Mas a sua realização também implica outros tipos de disrupção.
A “República Bolivariana” do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, por exemplo, pode virar pó. Chávez faz assistencialismo com os petrodólares, em vez de acumular reservas ou financiar investimentos, e influencia apoios entre os vizinhos vendendo petróleo a preço subsidiado.
No Brasil, em que a Petrobras extrai petróleo ao custo incluindo royalties aos estados de US$ 7 a US$ 8 o barril, a queda prevista diminui a necessidade de reajustes de preços no mercado interno.
A inflação e o juro do Banco Central torcem para ser verdade. Aliás, a estimativa da inflação para horizontes mais distantes é tudo de bom: 4,3% ano que vem, 4,5% em 2008, 4,3% em 2009 e 4,25%, 2010.