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Prisa assedia Abril pela dupla Ática e Scipione

Se os espanhóis fecharem negócio vão protagonizar uma das maiores transações do mercado editorial

21.09.2006 - 17:31

Relatório Reservado

Após imprimir sua marca nas editoras Moderna e Objetiva, a espanhola Prisa pode protagonizar mais uma história de aquisição no Brasil. Trata-se, aliás, de uma operação dupla. Os novos alvos do grupo são a Ática e a Scipione, controladas pela Abril.

Se o negócio for levado adiante, a Prisa assinará uma das maiores transações já realizadas no mercado editorial brasileiro. Juntas, a Ática e a Scipione faturam mais de R$ 300 milhões por ano. É muita gramatura financeira em comparação às principais editoras que estiveram recentemente envolvidas em transferências societárias.

A Objetiva, da qual os espanhóis compraram 75% do capital, tem uma receita em torno dos R$ 30 milhões. A Nova Fronteira, que, em 2005, vendeu metadedas suas ações para a Ediouro, fatura cerca de R$ 40 milhões/ano.

Para concluir mais essa compra, porém, a Prisa terá de driblar a sul-africana Naspers. Dono de 30% da Abril, o grupo já teria demonstrado interesse em investir na expansão da Ática e da Scipione.

Em compensação, no contrato entre a Abril e a Naspers não há qualquer amarra em relação à venda do controle das duas editoras. Aliás, é sintomático que ambas tenham sido separadas do restante dos ativos e acomodadas na sub-holding Abril Educação.

Um dos grandes objetivos da Prisa é crescer no mercado brasileiro de livros didáticos. A Ática é o melhor passaporte para esta meta. Líder deste segmento, tem um catálogo com mais de 2,3 mil títulos.

O apetite dos espanhóis é mais do que justificado. A venda de publicações didáticas é um oásis em meio ao saárico desempenho do mercado editorial no País – nos últimos 10 anos, as vendas de livros caíram cerca de 25%.

Os títulos escolares e afins respondem por mais de metade do faturamento das editoras. No ano passado, foram vendidos cerca de 160 milhões de exemplares, que movimentaram aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O governo Federal é o grande comprador do segmento.

Em 2005, encomendou cerca de 90 milhões de exemplares no âmbito do Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD). A eventual compra da dobradinha Ática/Scipione dará à Prisa o cetro e a coroa deste mercado. As duas editoras da Abril Educação dominam quase 40% das vendas de livros didáticos no País.


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