Desemprego não cede e o aumento da renda real desacelera
Para que o mercado de trabalho se tornasse mais dinâmico teria sido necessário promover redução dos juros com intensidade no início do ano
21.09.2006 - 16:33
IEDI
Não se pode dizer que a leve queda da taxa de desemprego, divulgada hoje pelo IBGE, indique uma interrupção em agosto do movimento que vinha se verificando, de forma quase que contínua, de alta da taxa de desemprego desde dezembro de 2005, pois a variação de 10,7% para 10,6% entre julho e agosto não é estatisticamente significativa. Seja qual for a interpretação, no entanto, o fato é que uma taxa de desemprego oscilando entre 10,4% e 10,6% vem prevalecendo nas regiões metropolitanas brasileiras nos últimos três meses, quando eram esperadas taxas menores. Com efeito, nesses mesmos meses de 2005 a taxa de desemprego fora de 9,4%, à diferença de que no ano passado o período caracterizou-se por retração do nível de atividade.
Essas considerações autorizam a conclusão geral de que a conjuntura econômica não tem sido favorável para o emprego nas principais regiões metropolitanas brasileiras, conseqüência do fato de que a economia não tem gerado novos postos de trabalho na dimensão em que cresce o número de pessoas que buscam trabalho. Desde abril observa-se um aumento da população ocupada, mas que não se refletia em redução da taxa de desemprego devido ao aumento do número de pessoas procurando trabalho. Em agosto esse número manteve-se estável, o que explica o ligeiro recuo da taxa de desocupação.
Outro resultado que deve ser ressaltado é a trajetória do rendimento médio real, que aumentou 0,7% na margem (em relação ao mês anterior), após um recuo na mesma intensidade em julho. Com isso, esse rendimento manteve-se praticamente estável em relação a junho de 2006. A comparação com o mesmo mês do ano anterior mostra que a trajetória de crescimento da renda média dos trabalhadores - associada à baixa inflação e ao aumento real do salário mínimo - realmente está perdendo fôlego: expansão de 3,5% em agosto e julho, frente a taxas de 7,7% em maio e 6,8% em junho.
Diante da desaceleração da taxa de crescimento do rendimento médio real, foi o aumento da população ocupada que sustentou a expansão da massa de rendimento da população em julho e agosto, ao contrário do observado no primeiro semestre de 2006.
Para que o mercado de trabalho se tornasse mais dinâmico, aproveitando plenamente a tendência da redução do desemprego que sempre se apresenta nos meses finais do ano, teria sido necessário que a redução da taxa de juros fosse promovida com maior intensidade no início do corrente ano.
Agora, mesmo que tenha continuidade a redução dos juros, somente ao longo do primeiro semestre do ano que vem poderemos ter expectativa de uma mais intensa recuperação do emprego.