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Recolhimento compulsório menor deve aumentar a rentabilidade dos bancos

Até mesmo a queda do spread pode elevar os ganhos das instituições finaneiras

08.09.2006 - 13:14

Redação

Quem foi banqueiro até a raiz dos cabelos tem de conhecer os requintes da contabilidade até do seu pé de goiabeira. Henrique Meirelles, exemplar arquetípico da espécie, responde com um sorriso sardônico quando provocado sobre o efeito das altas taxas de juros na rentabilidade dos bancos. Um sorriso de quem diz: não adianta explicar para quem não vai entender mesmo.

Os bancos ganham dinheiro em qualquer ambiente ou circunstância. E ganharão mais dinheiro ainda, acredite se quiser, com os juros mais baixos. Não por causa do legítimo interesse bancário, mas em função do prioritariamente legítimo interesse nacional,

Meirelles tem se dedicado de corpo e alma a reger uma intensa bateria de estudos e simulações econométricas para implodir com a profecia de que a política monetária será mais do mesmo. O saldo da numeralha leva na direção de um caminho bifurcado: meta de inflação bianual e juros nominais na casa de 8% no horizonte de dois anos a partir de 2007.

A herança de Meirelles para o segundo mandato do governo Lula, eufemismo de orientação para uma guinada na rigidez da política monetária, é repleta de condicionalidades. O componente fiscal continua no centro das exigências. Mas a mudança não é nada tênue.

Na lógica do BC para 2007 há um circulo virtuoso: mantida a disciplina dos superávits primários, com um crescimento do PIB da ordem de 4% e com um carry over de inflação abaixo do target, a queda mais acentuada da Selic sinaliza para uma redução progressiva da relação dívida pública líquida/PIB, o que praticamente garante o investment grade, que atrai mais recursos de investidores estrangeiros, que pressiona a inflação ainda mais para baixo e força a apreciação do câmbio, que, por sua vez, estimula nova redução da taxa selicada, o que, por sua vez, permite criar uma estrutura a termo para os juros.

Mas, o que os bancos têm a ver com isso? No modelo que está sendo testado no bunker do BC, a queda dos spreads bancários e, portanto, maiores mudanças no compulsório sobre as reservas bancárias ficam para um segundo round. Para que o projeto tenha consistência, o que importa é abater com um tiro na nuca a taxa Selic. Os spreads, portanto, cairão marginalmente em decorrência dos aperfeiçoamentos que estão sendo feitos no sistema e da própria redução da taxa básica.

Os números do BC permitem depreender que, na configuração deste cenário, a rentabilidade bancária será ainda maior. É só comparar a relação de retorno dos 10 maiores bancos com a taxa de juros real. No período de dezembro de 1994 a dezembro de 1999, quando a taxa de juros real na média nunca foi inferior a 20%, a rentabilidade bancária sempre esteve abaixo de 18%. De dezembro de 2000 a dezembro de 2005, a taxa real não ultrapassou 9,8% na média e a rentabilidade esteve acima de 23%.

O que interage mesmo com o retorno bancário é um menor recolhimento compulsório. Em dezembro de 94, quando o compulsório chegava a impensáveis 90%, a rentabilidade do top ten bancário era de 7,9%. No mesmo mês de 2005, para um recolhimento compulsório de 53%, uma rentabilidade de 25,3%. Os números não mentem jamais. Mas, como diria o Dr. Meirelles, ninguém vai entender isso mesmo.

© Relatório Reservado


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