Santander quer financiar a compra de veículos e mira o Banco Volkswagen
Banco segue os passos do Itaú e do Bradesco, que controlam os braços financeiros da Fiat e da Ford
24.07.2006 - 13:10
Redação
O Santander elegeu o segmento de veículos como o principal trampolim para a Olé, sua financeira no Brasil. Além de um intenso processo de crescimento orgânico - leia-se a abertura de lojas e sucessivos acordos com revendedoras - a instituição ibérica está disposta a cravar uma aquisição no país.
Neste caso, todos os caminhos levam na direção do Banco Volkswagen, nome repetido recorrentemente nas reuniões de diretoria do Santander.
Parafraseando Chacrinha, no crédito direto nada se cria, tudo se copia. A intenção do Santander é seguir a estratégia do Itaú e do Bradesco, que compraram, respectivamente, o controle dos braços financeiros da Fiat e da Ford.
Entre o G-4 da indústria automobilística nacional – Volkswagen, Fiat, GM e Ford – o Banco Volkswagen é a última instituição financeira ainda ligada à sua respectiva montadora. Em abril deste ano, a General Motors vendeu o controle internacional do Banco GMAC ao Cerberus Capital Management, fundo ligado ao Citibank, e ao Aozora Bank.
O crédito direto virou assunto de segurança nacional para o Santander no Brasil. É o principal pilar da estratégia adotada pelo banco para aplacar o impacto da perda das contas do funcionalismo público de São Paulo. Em janeiro de 2007, os depósitos dos servidores serão transferidos pelo governo estadual do Banespa para a Nossa Caixa.
Para tapar a cratera, o financiamento de veículos é uma das principais apostas dos espanhóis. Trata-se de um dos nichos com maiores taxas de crescimento no crédito direto. Nos últimos três anos, o volume de empréstimos cresceu 70%. No ano passado, o setor movimentou cerca de R$ 50 bilhões. Bradesco e Itaú concentram praticamente a metade deste mercado.
Na Europa, o Santander tem histórica tradição no financiamento de automóveis. Responde por quase um terço das operações na Espanha. No Brasil, porém, o volume de empréstimos neste segmento ainda está longe do patamar sonhado pelos espanhóis. Equivale a aproximadamente 15% das operações totais da financeira, em torno de R$ 5 bilhões.
A compra do Banco Volkswagen permitirá ao Santander dar um salto triplo no crédito direto. A instituição herdará uma carteira em torno de R$ 5,2 bilhões. Terá não apenas maior inserção no financiamento de automóveis como também de veículos pesados, segmento no qual entrou neste ano.
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