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Iedi defende preservar o superávit comercial elevado por muito tempo

Para industriais, desempenho da balança foi o que melhor aconteceu com a economia em três anos

19.01.2006 - 19:48

IEDI

Tem gente no governo que dizia (e ainda diz) não ter importância. Tem economista que torce o nariz só de ouvir falar. Foram poucos os que insistiram em sua necessidade, entre eles, com insistência, o IEDI, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria, que foi criticado por isso. Independentemente da discussão, o fato é que os números sobre o setor externo em 2005 fechados pelo Banco Central mostram que dele – o saldo da balança comercial - partiu tudo ou quase tudo o que de melhor aconteceu com a economia nestes últimos três anos.

O superávit no ano passado atingiu US$ 44,8 bilhões, o que foi fator determinante para o desempenho das contas externas, tanto para aumentar as reservas internacionais como para reduzir significativamente a dívida externa, incluindo a que estava pendurada no FMI desde 1998.

Para alguns analistas, incluindo importantes formuladores da política econômica, já se pode dispensar a existência de tão amplo saldo. Por isso, se deixou valorizar intensamente a moeda durante 2004 e grande parte de 2005. Mas, para nós, ainda não é chegado tal momento. Não se pode esquecer que, a despeito da significativa melhora das contas externas, o Brasil ainda é o país emergente de maior dívida externa.

Seria proveitoso manter o elevado superávit comercial por maior período de tempo. Trata-se de seguir o exemplo de vários países emergentes que lograram confortável posição financeira externa e duradoura avaliação positiva de risco. Seriam bem vindas a intervenção mais eficaz no câmbio e a aceleração do ritmo de queda da taxa interna de juros para reverter a valorização do Real.

O superávit comercial de 2005, aliado a um valor de transferências unilaterais correntes de US$ 3,6 bilhões, foi capaz de financiar gastos como os de juros (US$ 13,5 bilhões, 5% abaixo do valor de 2004), remessas de lucros e dividendos (US$ 12,7 bilhões, com grande aumento sobre 2004: 73%), viagens internacionais (déficit de US$ 858 milhões em 2005, contra receita líquida de US$ 358 milhões em 2004) e outros serviços e rendas (US$ 7,1 bilhões, crescimento de 46%) e deixar um superávit de US$ 14,2 bilhões.

O resultado em transações correntes equivale a 1,8% do PIB, um pouco abaixo do percentual de 2004, 1,94%. Há apenas quatro anos, esse resultado era negativo em 4,6%, o que deixava o país sob forte vulnerabilidade externa.

Frustração do investimento

Os investimentos diretos estrangeiros líquidos (IDE) tiveram um desempenho pior na segunda metade de 2005 com relação ao primeiro semestre e fecharam o ano com um valor (US$ 15,2 bilhões) muito aquém do potencial de atração de inversões externas pela economia brasileira, próximo a US$ 25 bilhões.

-> Em dezembro, o IDE somou US$ 1,4 bilhões, 55,3% abaixo do valor registrado em dezembro do ano anterior (US$ 3,1 bilhões) e a quinta variação negativa seguida. A média de ingressos no 2º semestre (US$ 1,1 bilhão) correspondeu a 22,6% da média do semestre anterior (US$ 1,4 bilhões) e foi 28,1% menor do que a média do 2º semestre de 2004 (US$ 1,5 bilhões, já excluída a operação de US$ 4,9 bilhões realizada entre Ambev e Interbrew, em agosto de 2004).

-> O valor acumulado no ano, de US$ 15,2 bilhões (1,9% do PIB), foi 16,4% menor que o de 2004, quando os ingressos somaram US$ 18,2 bilhões (3% do PIB). Excluída a transação entre Interbrew e Ambev, os ingressos cresceram 14,5%.

Dos ingressos brutos de IDE em 2005 para participação de capital, no montante de US$ 21,6 bilhões, o setor de Serviços atraiu US$ 12,9 bilhões (59,7% do total, com aumento de 52,0% sobre 2004). Outros destaques foram os setores de Correios e telecomunicações (US$ 4,0 bilhões), Comércio (US$ 2,8 bilhões) e Eletricidade, gás e água quente (US$ 1,6 bilhões).

-> A indústria recebeu em 2005 US$ 6,5 bilhões (30,2% do total), com forte redução (39,0%) frente ao acumulado de 2004. Os setores de Produtos alimentícios e bebidas (US$ 2,1 bilhões), Veículos automotores (US$ 1,0 bilhão) e Produtos químicos (US$ 764 milhões) foram os que mais contribuíram para o IDE direcionado ao setor industrial.

-> O setor agropecuário absorveu US$ 2,2 bilhões (10,1% do total), mais que o dobro (105%) em relação ao IDE de 2004. Os maiores destaques estiveram nos ramos de Extração de minerais metálicos (US$ 996 milhões) e Petróleo (US$ 897 milhões).


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